Almada Negreiros
Quis-te tanto que gostei de mim!
Tu eras a que não serás sem mim!
Vivias de eu viver em ti
e mataste a vida que te dei
por não seres como eu te queria.
Eu vivia em ti o que em ti eu via.
E aquela que não será sem mim
tu viste-a como eu
e talvez para ti também
a única mulher que eu vi!
1 de fevereiro de 2009
Amor salgado
Cláudia Consciência
Sinto-nos corpos e almas separados
Se não nos queres
Dá-me a tua ausência
Tira-me a dor da tua existência
Esta dor que fermenta
Que me alaga o rosto
Me salga por dentro
Esta dor feita de amor
Um amor cego
Que me cobre de tormento
Dá-me a tua ausência
Tira-me a dor da tua existência
Direi-me que te foste
Com a voz de quem tem amado sozinha
Não quero mais este sabor
De amor salgado
Quero abrir os olhos
Quero ver-me de novo!
Sinto-nos corpos e almas separadosSe não nos queres
Dá-me a tua ausência
Tira-me a dor da tua existência
Esta dor que fermenta
Que me alaga o rosto
Me salga por dentro
Esta dor feita de amor
Um amor cego
Que me cobre de tormento
Dá-me a tua ausência
Tira-me a dor da tua existência
Direi-me que te foste
Com a voz de quem tem amado sozinha
Não quero mais este sabor
De amor salgado
Quero abrir os olhos
Quero ver-me de novo!
Pele
David Mourão-Ferreira
Quem foi que à tua pele conferiu esse papel
de mais que tua pele ser pele da minha pele
Quem foi que à tua pele conferiu esse papel
de mais que tua pele ser pele da minha pele
Vontade de dormir
Mário de Sá-Carneiro
Fios de oiro puxam por mim
a soerguer-me na poeira —
Cada um para seu fim,
Cada um para seu norte...
.....................................................................
— Ai que saudade da morte...
.....................................................................
Quero dormir... ancorar...
.....................................................................
Arranquem-me esta grandeza!
— P’ra que me sonha a beleza
Se a não posso transmigrar?...
Fios de oiro puxam por mim
a soerguer-me na poeira —
Cada um para seu fim,
Cada um para seu norte...
.....................................................................
— Ai que saudade da morte...
.....................................................................
Quero dormir... ancorar...
.....................................................................
Arranquem-me esta grandeza!
— P’ra que me sonha a beleza
Se a não posso transmigrar?...
Bofetada ao (i)Mundo
Cláudia Consciência
Conheço-te tão bem
Sei a cara que tens
Sei a que cheiras
Sei o que fazes
És tão feio
Tão porco
Tão mau
Conheço-te tão bem
E quanto mais te conheço
Mais de mim gosto
De ti desisto
De mim preciso-me
Cada vez mais!
Conheço-te tão bem
Sei a cara que tens
Sei a que cheiras
Sei o que fazes
És tão feio
Tão porco
Tão mau
Conheço-te tão bem
E quanto mais te conheço
Mais de mim gosto
De ti desisto
De mim preciso-me
Cada vez mais!
Fanatismo
Florbela Espanca
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”
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